Written on Setembro 8th, 2011 at 9:07 am by Historias Infantis

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No  centro  de  formoso  jardim,  havia  grande  lago,  adornado  de
ladrilhos azu-turquesa.
Alimentado por diminuto canal de pedra, escoava suas águas, do outro
lado, através de grade muito estreita.
Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de  peixes,  a  se
refestelarem, nédios e satisfeitos,  em  complicadas  locas,  frescas  e
sombrias. Elegeram um dos concidadãos de barbatanas para os encargos  de
rei, e ali viviam, plenamente despreocupados, entre a gula e a preguiça.
Junto deles, porém, havia  um  peixinho  vermelho,  menosprezado  de
todos.
Não conseguia pescar a mais leve larva, nem refugiar-se  nos  nichos
barrentos.
Os outros, vorazes e  gordalhudos,  arrebatavam  para  si  todas  as
formas larvárias e ocupavam, displicentes, todos os lugares  consagrados
ao descanso.
O peixinho vermelho que nadasse, e  sofresse.  Por  isso  mesmo  era
visto, em correria constante, perseguido pela canícula ou atormentado de
fome.
Não encontrando pouso no  vastissimo  domicílio,  o  pobrezinho  não
dispunha de tempo para muito lazer e  começou  a  estudar  com  bastante
interesse.
Fêz o ínventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as  bordas  do
poço, arrolou todos os buracos nele existentes e  sabia,  com  precisão,
onde se reuniria maior massa de lama por ocasião de aguaceiros.
Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições,  encontrou  a
grade do escoadouro.
A frente da imprevista oportunidade de aventura  benéfca,  refletíu
consigo:
– “Não será melhor pesquisar a vida e conhecer outros rumos?”
Optou pela mudança.
Apesar de macérrimo pela abstenção completa  de  qualquer  conforto,
perdeu várias escamas, com grande sofrimento,  a  fim  de  atravessar  a
passagem estreitíssima.
Pronunciando votos renovadores, avançou, otimista, pelo rego d’água,
encantado  com  as  novas  paisagens,  ricas  de  flores  e  sol  que  o
defrontavam, e seguiu, embríagado de esperança . . .
Em breve, alcançou grande rio e fêz inúmeros conhecimentos.
Encontrou  peixes  de  muitas  famílias  diferentes,  que  com   ele
simpatizaram,  instruindo-o  quanto  aos  percalços    da    marcha    e
descortinando-lhe mais fácil roteiro.
Embevecido, contemplou nas margens homens e anímais,  embarcações  e
pontes, palácíos e veículos, cabanas e arvoredo.
Habituado com  o  pouco,  vívia  com  extrema  simplicidade,  jamais
perdendo a leveza e a agilidade naturais.
Conseguiu, desse modo, atíngir o oceano, ébrío de novidade e sedento
de estudo.
De início, porém, fascinado pela paixão de observar, aproximou-se de
uma baleia para quem toda a água do lago em que vívera  não  seria  mais
que diminuta ração; impressionado com o espetáculo, abeirou-se dela mais
que devia e foí tragado com os elementos que lhe constituiam a  primeira
rejeição diária.
Em apuros, o peixinho  aflito  orou, ao  Deus  dos  Peixes,  rogando
proteção no bojo do monstro e, não  obstante  as  trevas  em  que  pedia
salvamento, sua prece foi ouvida, porque o  valente  cetáceo  começou  a
soluçar e vomitou, restituindo-o às correntes marinhas.
O  Pequeno  viajante,  agradecido  e  feliz,  procurou    companhias
simpáticas e aPrendeu a evitar os perigos e tentações.
Plenamente transformado  em  suas  concepçôes  do  mundo,  Passou  a
reparar as infinitas riquezas  da  vida.  Encontrou  Plantas  luminosas,
animais estranhos, estrelas móveis  e  flores  diferentes  no  seio  das
águas. Sobretudo, descobriu a existência de muitos peixinhos, estudiosos
e delgados tanto quanto ele, junto dos quais se sentia  maravilhosamente
feliz.
Vivia, agora, sorridente e calmo, no Palácio de Coral  que  elegera,
com centenas de amigos, para residência ditosa, quando, ao se referir ao
seu começo laborioso, veio a saber  que  somente  no  mar  as  criaturas
aquáticas dispunham de mais sólida garantia, de vez que, quando o  estio
se fizesse mais arrasador, as águas de  outra  altitude  continuariam  a
correr para o oceano.
O peixinho Pensou, Pensou… e sentindo imensa compaixão daqueles
com quem  convivera  na  infância,  deliberou  consagrar-se  à  obra  do
progresso e salvação deles.
Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade? não seria nobre
ampará-los, prestando-lhes a temPo valiosas informações? Não hesitou.
Fortalecido Pela generosidade de  irmãos  benfeitores  que  com  ele
viviam no Palácio de Coral, empreendeu comPrida viagem de volta.
Tornou ao rio, do rio  dirigiu-se  aos  regatos  e  dos  regatos  se
encaminhou para os canaizinhos que o conduziram ao Primitivo lar.
Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo  e  serviço  a
que se devotava, varou a  grade  e  procurou,  ansiosamente,  os  velhos
companheiros.
Estimulado pela proeza  de  amor  que  efetuava,  supôs  que  o  seu
regresso causasse surpresa e entusiasmo gerais.  Certo,  a  coletividade
inteira lhe celebraria o feito, mas depressa verificou  que  ninguém  se
mexia.
Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, repimpados nos mesmos
ninhos lodacentos, protegidos por flores de lótus, de onde saiam  apenas
para disputar larvas, moscas ou minhocas desprezíveis.
Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhe prestasse atenção,
porquanto ninguém, ali, havia dado pela ausência dele.
Ridicularizado,  grocurou,  então,  o  rei  de  guerras  enormes   e
comunicou-lhe a reveladora aventura.
O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o povo e
permitiu que o mensageiro se explicasse.
O  benfeitor  desprezado,  valendo-se  do  ensejo,  esclareceu,  com
ênfase, que havia outro mundo líquido, glorioso e sem fim.  Aquele  poço
era uma insignificância que podia desaparecer, de  momento  para  outro.
Além  do  escoadouro  próximo  desdobravam-se  outra  vida    e    outra
experiência. Lá fora, corriam regatos ornados de flores, rios caudalosos
repletos de seres diferentes e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada
vez mais rica e mais surpreendente. Descreveu o  serviço  de  tainhas  e
salmões,  de  trutas  e  esqualos.  Deu  notícias  do   peixe-lua,    do
peixe-coelho e do galo-do-mar. Contou que vira o céu repleto  de  astros
sublimes e que descobrira árvores gigantescas, barcos  imensos,  cidades
praeiras, monstros temíveis, jardins submersos,  estrelas  do  oceano  e
ofereceu-se para conduzi-los ao Palácio de Coral, onde  viveriam  todos,
prósperos  e  tranqüilos.  Finalmente  os  informou  de  que  semelhante
felicidade, porém, tinha igualmente seu preço. Deveriam todos emagrecer,
convenientemente, abstendo-se de devorar tanta larva e tanto  verme  nas
locas escuras e aprendendo  a  trabalhar  e  estudar  tanto  quanto  era
necessário à venturosa jornada.
Assim que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a preleção.
Ninguém acreditou nele.
Alguns oradores tomaram  a  palavra  e  afirmaram,  solenes,  que  o
peixinho vermelho delirava, que outra vida além do poço era  francamente
impossível, que aquela história de riachos,  rios  e  oceanos  era  mera
fantasia de cérebro demente e alguns chegaram a declarar que falavam  em
nome do Deus  dos  Peixes,  que  trazia  os  olhos  voltados  para  eles
unicamente.
O  soberano  da  comunidade,  para  melhor  ironizar  o    peixinho,
dirigiu-se em companhia dele até à grade de escoamento e,  tentando,  de
longe, a atravecia, exclamou borbulhante:
– “Não  vês  que  não  cabe  aqui  nem uma só de minhas barbatanas?
Grande  tolo! vai-te daqui! não nos perturbes o bem-estar… Nosso  lago
é o centro do universo… Ninguém possui vida igual à nossa!…”
Expulso a golpes de  sarcasmo,  o  peixinho  realizou  a  viagem  de
retorno e instalou-se, em definitivo, no Palácio de Coral, aguardando  o
tempo.
Depois de alguns anos, apareceu pavorosa e devastadora seca.
As águas  desceram  de  nível.  E  o  poço  onde  viviam  os  peixes
pachorrentos e vaidosos esvaziou-se, compelindo a comunidade  inteira  a
perecer, atolada na lama…

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Muitas e muitos histórias infantis para contar.

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2 Comentários a “O Peixinho Vermelho”


  1. Inês Tavares

    3 years ago

    São histórias cobertas de erros que fazem as crianças escreverem tão mal …


  2. Yadeshka

    1 year ago

    Inês, há aqueles que dizem que a ignorância justifica erros, eu não concordo com eles. Informa-te, ignata, e, só então, critica.

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